Angelina  Peralva e Vera da Silva Telles (orgs). Editora UFRJ, 2015.

Ilegalismos na globalização: migrações, trabalho, mercados – capa

Colóquio de Cerisy, 2011 – encerramento de Convênio Capes-Cofecub (2007-2010) – http://www.fflch.usp.br/ds/pos-graduacao/sites/trajetorias/index.htm

Apresentação do livro por Angelina Peralva no Boletim Eletrônico do Mondes Sociaux – Globalisation et illégalismes. Mondes Sociaux, Magazine de Sciences Humaines et Sociales

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Os Colóquios de Cerisy, na França, são justamente famosos pela excelência de seus temas e protagonistas. No majestoso castelo localizado na Normandia, onde se instalou, em 1952, o Centro Cultural Internacional de Cerisy-la-Salle, já estiveram nomes consagrados como Heiddeger, Toynbee, Aron, Malraux, Deleuze, Foucault, Touraine, Bourdieu, Castoriadis, Giddens – a maior parte da intelectualidade europeia da segunda metade do século vinte.

Este volume que a Editora UFRJ lança em primeira mão no Brasil reúne todos os trabalhos apresentados no colóquio “Entre o lícito e o ilícito”, em Cerisy, em setembro de 2011, promovido pelo programa franco-brasileiro de cooperação e pesquisa Capes-Cofecub, coordenado no Brasil pela professora Vera da Silva Telles, da Universidade de São Paulo, e na França pela professora Angelina Peralva, da Universidade de Toulouse-le-Mirail.

Os participantes do colóquio buscaram tratar a gestão diferenciada dos ilegalismos no mundo globalizado dos mercados, das migrações e do trabalho. Para alcançá-lo, buscou-se abordar em conjunto questões geralmente tratadas em separado, mas que cada vez mais aproximam situações sobre as quais pesquisadores se debruçam em várias partes do mundo, nas Américas, na bacia mediterrânea, na África negra ou na China.

Os resultados alcançados, que também estão sendo publicados na França, oferecem ao leitor o mais ambicioso e aprofundado estudo até aqui realizado sobre as margens obscuras que ultrapassam a lei mas que se mantêm vigentes, operando por códigos, regras e formas de ação que não cabem na costumeira visão simplificada de uma fronteira moral rígida entre o legal e o ilegal, o lícito e o ilícito, o econômico e o político. Com este lançamento, a Editora UFRJ coloca à disposição do leitor brasileiro uma reunião de trabalhos de ponta sobre um dos temas mais importantes que acompanham o processo de globalização – o da emergência de redes econômicas, formas de poder e tipos de organização social que interconectam os ilegalismos em escala mundial (texto da orelha do livro).

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A globalização implodiu o quadro institucional-legal sobre o qual se construíram as democracias modernas. Multiplicaram-se em níveis exponenciais as práticas de contornamento da lei e os atores nelas envolvidos: migrantes da chamada “globalização por baixo” e grandes atores econômicos – empreiteiras que empregam esses migrantes como trabalhadores indocumentados, grandes exportadores e/ou importadores de produtos manufaturados e pequenos comerciantes dos mercados populares, além dos próprios Estados nacionais, que ora facilitam, ora represam o movimento ilegal de seres humanos e mercadorias.

Dinâmicas complexas de desenvolvimento e redução da pobreza estão paradoxalmente presentes nesses processos, que este livro examina através de estudos de caso concretos realizados em diferentes regiões do planeta. São abordadas questões como a das novas circulações migratórias, seus territórios e os mercados urbanos do trabalho informal a elas vinculados; a circulação de mercadorias, em parte legais, em parte ilegais – muitas delas contrafações provenientes da China; e os mercados de produtos ilícitos, como o das drogas, com seus modos próprios de circulação e de articulação com a economia legal. Ao romper a coerência entre economia, culturas e territórios, a globalização nos obriga a abrir nosso espaço de reflexão para acolher modalidades multissituadas de produção de conhecimentos. Por isso, este livro reúne intervenções de pesquisadores que vinham até aqui trabalhando separadamente, nas Américas do Norte e do Sul, em torno da bacia mediterrânea, na África negra ou na China. (texto da contracapa)

 

 

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